Capitães da Areia

08-06-2020

Um bando de jovens que são bem mais do que aparentam. 

  Começo por confessar-vos que, se não fosse pela escola, nunca teria desfrutado desta história tão magnifica. Este é um livro de Jorge Amado, lançado em 1937, retratando a vida de jovens delinquentes, órfãos ou abandonados, que se tornam artistas na arte de roubar para sobreviverem. Apresenta-se dividido em capítulos, sendo que alguns são meio soltos e contam situações que os rapazes passam para dar um contexto e também para os conhecermos melhor.


Algumas personagens são destacadas pelo autor, são elas:

  • Pedro Bala - Líder deste grupo;
  • Professor - É a minha personagem preferida, como é o mais culto organiza os roubos, sabe ler e demonstra um grande talento a pintar.


Alguns capítulos relatam a epidemia de varíola que passou pela Bahia,onde se passa a história, matando imensas pessoas, incluindo a mãe de uma nova personagem.

  • Dora - A única rapariga do grupo que, quando se apercebeu que não tinha para onde ir, pediu abrigo no grupo. Ao início não foram todos muito amigáveis, mas Pedro logo se impôs. É vista como uma mãe para alguns, uma irmã para outros e para Pedro Bala como um amor correspondido;
  • Pirulito - Deseja ser frade, apesar dos seus pecados de roubo. Para o ajudar tem o Padre José Pedro;
  • Gato - mais galã do grupo, entre outros;
  • Sem pernas - Um rapaz coxo traumatizado pela sua experiência de vida.


O único elemento feminino do grupo, infelizmente, morre ainda jovem de febres altas, depois de levada para um orfanato e resgatada pelo bando. Iniciando-se assim a passagem destes jovens para a vida adulta. No final cada um deles segue o seu caminho, sendo todos bastante distintos. 

  • Pedro Bala - Continua líder, mas desta vez de um grupo de grevistas, composto por antigos elementos dos Capitães da Areia;
  • Professor - Torna-se um artista de renome, assinando os seus quadros com o nome João José (deduzo que seja o seu nome verdadeiro);
  • Pirulito - Concretiza o seu sonho de ser frade;
  • Gato - Decide partir, com uma mulher, para outra cidade; 
  • Sem pernas - Mata-se numa perseguição, pois prefere morrer, ao ser levado preso.


No capítulo da sua morte, há uma passagem que teria gosto em dar-vos a conhecer. "Não deixará que o peguem, não tocaram a mão no seu corpo. Sem Pernas odeia-os como odeia todo o mundo, porque nunca pôde ter um carinho. Nunca tivera uma alegria de criança."

Deduzo destas frases, que para sermos melhores pessoas, basta que nos deem atenção, que nos acolham num abraço. O carinho é o caminho mais rápido para a bondade. Sem Pernas sabia que era acolhido pelo grupo, mas sentia que necessitava de mais, um amor de uma família. 


Para finalizar, afirmo que gostei muito desta obra, aconselho. Qualquer leitor atento irá ficar comovido ao lê-la. Para quem não gosta de ler, porque sei que há por aí muitos seres que não gostam, há também um filme e uma série, que deve ser igualmente boa. 


Morgana Pereira :)


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